Apesar da geração de vagas formais, ritmo de crescimento desacelerou na comparação com anos anteriores
A região de São João da Boa Vista encerrou 2025 com saldo positivo de 1.223 empregos formais, conforme dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O número representa a diferença entre 63.033 admissões e 61.810 desligamentos registrados ao longo do ano nas sete cidades que compõem o levantamento regional.
Embora o resultado indique geração de vagas e manutenção da atividade econômica, o desempenho foi o mais baixo desde 2020. O cenário acompanha a tendência nacional de desaceleração da economia, marcada por juros elevados, crédito mais restrito e redução no ritmo de investimentos.
O levantamento considera os municípios de Aguaí, Casa Branca, Espírito Santo do Pinhal, Mococa, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo e Vargem Grande do Sul. O Novo Caged consolida informações do eSocial, Caged e Empregador Web para apuração do emprego formal em todo o país.
Nos anos anteriores, a região vinha apresentando números mais expressivos. Em 2020, o saldo foi de 2.288 empregos; em 2021, 3.682; em 2022, 2.912; em 2023, 1.976; e em 2024, 2.114. Já em 2025, o total caiu para 1.223 postos de trabalho.
O setor de serviços liderou a geração de empregos, com 1.057 vagas abertas ao longo do ano. A indústria apareceu em seguida, com saldo positivo de 532 postos. O comércio registrou resultado discreto, com 14 novas vagas. Por outro lado, o agronegócio e a construção civil fecharam o ano com saldo negativo, demitindo mais do que contrataram.
Para o vice-diretor do Ciesp São João da Boa Vista, Adriano Alvarez, o resultado demonstra resiliência regional diante de um cenário econômico desafiador. Segundo ele, o ritmo mais moderado reflete o impacto dos juros altos e do crédito caro, que afetaram principalmente a indústria, setor estratégico para a economia local, especialmente nos segmentos metal-mecânico, autopeças, plásticos e agroindústria.
Ainda de acordo com Alvarez, além do custo do crédito, a demanda interna mais fraca e o aumento dos custos operacionais reduziram investimentos e contratações. O agronegócio apresentou meses pontuais de bom desempenho, mas não foi suficiente para sustentar um crescimento mais robusto ao longo do ano.
Para 2026, a expectativa é de melhora gradual. A projeção de queda da taxa básica de juros, aliada ao reajuste do salário mínimo, possível ampliação do consumo e ciclo eleitoral com aumento de obras públicas, pode estimular novos investimentos e favorecer setores como comércio, serviços e construção civil.
Desempenho por cidade
Espírito Santo do Pinhal liderou o ranking regional em 2025, com saldo de 736 empregos. O município registrou 16.959 admissões e 16.223 desligamentos, superando com folga o resultado de 2024.
Mococa ocupou a segunda posição, com 452 novos postos de trabalho, resultado de 9.658 admissões e 9.206 demissões.
Em Aguaí, o saldo foi de 210 empregos, a partir de 5.216 admissões e 5.006 desligamentos, mantendo geração positiva, embora abaixo do desempenho do ano anterior.
Casa Branca encerrou 2025 com saldo de 160 vagas formais, após registrar 4.081 admissões e 3.921 demissões.
São José do Rio Pardo contabilizou saldo de 90 empregos, com 10.078 admissões e 9.988 desligamentos. Apesar de manter resultado positivo, o ritmo foi inferior ao observado em 2024, quando liderou o ranking regional.
Já São João da Boa Vista fechou o ano com saldo negativo de 194 empregos, resultado de 11.432 admissões e 11.626 desligamentos. A indústria foi o setor que mais demitiu, encerrando 413 postos de trabalho, enquanto o comércio abriu 49 vagas.
Em Vargem Grande do Sul, o saldo também foi negativo, com 189 postos de trabalho a menos no acumulado do ano, após 5.661 admissões e 5.850 demissões.




