Polícia Civil apreende tirzepatida, celulares e registros de vendas em Casa Branca; esquema envolvia aplicação e comercialização irregular dos produtos.
Uma enfermeira de 47 anos foi presa em flagrante nesta quarta-feira (8), em Casa Branca (SP), durante uma operação da Polícia Civil que investiga a venda e aplicação de canetas emagrecedoras sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca, quando foram encontradas amostras irregulares de tirzepatida — substância utilizada em medicamentos voltados ao controle de peso e diabetes. A profissional foi indiciada por comercialização de produto medicinal sem registro ou de procedência desconhecida e encaminhada à cadeia de São João da Boa Vista (SP), onde aguarda audiência de custódia.
De acordo com o delegado Wanderley Fernandes Martins Jr., responsável pela investigação, um médico e um agente da Fundação Casa também foram identificados como envolvidos no esquema, mas não foram localizados durante a operação. Eles deverão ser intimados para prestar depoimento.
As investigações apontam que a enfermeira e o médico realizavam a aplicação das substâncias, enquanto o agente público atuava na divulgação e venda dos produtos por meio da internet. A apuração teve início após a identificação de ofertas suspeitas em redes sociais.
Durante a ação, realizada no âmbito da “Operação Fórmula Mágica”, equipes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) e da Delegacia Seccional cumpriram mandados em três endereços da cidade.
Nos locais, foram apreendidos frascos de tirzepatida — um deles lacrado e outro parcialmente utilizado —, seringas, aparelhos celulares e anotações relacionadas à contabilidade das vendas e aplicações. Em outro endereço, vinculado a um dos investigados, também foram encontrados esteroides anabolizantes de origem estrangeira, sem autorização legal.
A Vigilância Sanitária do município acompanhou a operação e confirmou a irregularidade dos produtos. Segundo a polícia, os envolvidos poderão responder por crime de comercialização de medicamentos irregulares, cuja pena pode variar de 10 a 15 anos de prisão.
A tirzepatida, princípio ativo presente em medicamentos como o Mounjaro, exige autorização específica para importação e uso no Brasil. O aumento da procura por esse tipo de tratamento tem acendido alertas das autoridades de saúde sobre os riscos da utilização sem prescrição médica e sem controle regulatório.
Dados recentes da Anvisa indicam que o país importou mais de 130 quilos de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) nos últimos seis meses, volume suficiente para a produção de milhões de doses manipuladas. Diante desse cenário, o órgão estuda endurecer as regras para a fabricação e comercialização desses medicamentos.
As investigações continuam com o objetivo de identificar outros envolvidos e possíveis fornecedores do esquema.





