Estudo revela que atuação da Universidade impacta fortemente a economia local, impulsionando comércio, serviços, mercado imobiliário e arrecadação de impostos.
A presença da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em diversas cidades do estado de São Paulo tem provocado um impacto econômico significativo nas economias locais. De acordo com a mais recente edição do levantamento “A Unesp e os Municípios”, a atuação da universidade injetou cerca de R$ 2,8 bilhões nas cidades onde possui unidades, apenas no ano de 2022.
O estudo, realizado desde 1996, reúne dados públicos para avaliar o impacto econômico da universidade nas cidades onde está presente. Atualmente, a instituição possui unidades em 24 municípios paulistas, além da Reitoria, consolidando-se como um importante polo de ensino, pesquisa, extensão e inovação.
Segundo o levantamento, as atividades acadêmicas e administrativas da universidade geraram aproximadamente 8.300 empregos diretos em 2022. A criação dessas vagas, com remuneração considerada elevada em comparação às médias locais, contribui diretamente para o fortalecimento da economia das cidades.
De acordo com o economista e professor José Murari Bovo, que iniciou o estudo ainda na década de 1990, o objetivo sempre foi compreender de forma concreta como a universidade influencia o desenvolvimento dos municípios.
Além da geração de empregos, os impactos também aparecem na arrecadação de impostos. O levantamento aponta que, entre 2015 e 2022, cerca de R$ 51,6 bilhões retornaram aos municípios por meio do ICMS, considerando a parcela associada à presença da universidade e a cota-parte municipal do tributo.
Desse total, mais de R$ 13 bilhões — cerca de 17,2% — foram gerados diretamente em razão da existência da Unesp nas cidades analisadas. Com a atualização dos dados até 2025, o valor relacionado à presença da universidade chega a aproximadamente R$ 26 bilhões.
Para o professor Cláudio Cesar de Paiva, coautor do estudo, o impacto vai além da geração de empregos e se reflete em toda a dinâmica econômica local. Segundo ele, salários pagos a servidores e profissionais da universidade acabam sendo reinvestidos nas próprias cidades, por meio de gastos com produtos, serviços e moradia.
Outro fator importante é a presença constante de estudantes vindos de diversas regiões do país, o que movimenta setores como habitação, alimentação, transporte, comércio, educação e serviços. O levantamento estima que os gastos anuais dos estudantes ultrapassem R$ 1,09 bilhão nos municípios analisados.
Esse consumo impacta diretamente o mercado imobiliário, especialmente com a formação de repúblicas universitárias, onde grupos de estudantes dividem moradias. Casas maiores e imóveis antigos, muitas vezes sem grande procura, passam a ser alugados por universitários, fortalecendo ainda mais o setor.
O estudo completo está disponível no livro “A Unesp e os Municípios”, publicado pelo selo Cultura Acadêmica da Editora Unesp, e pode ser baixado gratuitamente pela internet.
Os dados reforçam o papel das universidades públicas não apenas na formação de profissionais e na produção científica, mas também como importantes motores de desenvolvimento econômico e social nas regiões onde estão instaladas.




