Fim da escala 6×1 avança no Senado: veja o que pode mudar para os trabalhadores

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Rafael Arcuri
Rafael Arcuri
Rafael é o fundador e responsável pelo Jornal Fala São João, presente desde sua criação em 2012. Com uma atuação destacada no jornalismo, Rafael já publicou mais de 6.000 artigos, cobrindo uma ampla gama de assuntos, como notícias de última hora, ocorrências policiais e análises políticas, sempre comprometido em informar e conectar a comunidade de São João da Boa Vista e região.

PEC prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, dois dias de descanso por semana e manutenção dos salários; proposta ainda precisa ser aprovada em dois turnos pelo Plenário do Senado

A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 deu mais um passo no Congresso Nacional, mas a mudança ainda não está valendo para os trabalhadores brasileiros.

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou, em 2 de setembro de 2026, a PEC 221/2019, que reduz a jornada máxima semanal de trabalho e passa a garantir dois dias de repouso semanal remunerado.

Agora, o texto segue para votação no Plenário do Senado.

Na prática, portanto, quem atualmente trabalha seis dias e folga um continua seguindo normalmente as regras do contrato e da legislação vigente. Nenhuma alteração automática na escala de trabalho ocorreu até o momento.

O que muda se o fim da escala 6×1 for aprovado?

Pelo texto aprovado na Câmara dos Deputados e mantido pela CCJ do Senado, a duração máxima da jornada semanal cairá das atuais 44 horas para 40 horas.

O limite normal de até oito horas diárias é mantido, respeitadas as possibilidades de compensação previstas nas regras trabalhistas.

Uma das principais mudanças está justamente no descanso.

A proposta estabelece dois dias de repouso semanal remunerado, em vez de apenas um. Um desses dias deverá ser, preferencialmente, aos domingos.

Isso abre caminho para jornadas no modelo 5×2, em que o trabalhador exerce suas atividades durante cinco dias e descansa em outros dois.

Essas folgas, porém, não significam necessariamente sábado e domingo para todos os trabalhadores. Dependendo da atividade, acordos, convenções coletivas e regras específicas poderão organizar os dias de descanso.

Salário não poderá ser reduzido

Outro ponto importante da PEC é a garantia de que a redução da carga horária não poderá provocar redução salarial.

A regra vale tanto para os salários dos contratos que já estiverem em vigor quanto para os pisos salariais.

Assim, caso a emenda constitucional seja promulgada, o trabalhador que tiver sua jornada reduzida em razão das novas regras não deverá sofrer diminuição proporcional de seu salário por causa dessa mudança.

Mudança será gradual

A alteração não aconteceria toda de uma vez.

Pelo texto atualmente em discussão, dois meses após a publicação da emenda constitucional, a jornada máxima semanal passaria de 44 para 42 horas, já com a garantia de dois dias de repouso semanal remunerado.

Depois, um ano e dois meses após a promulgação, o limite chegaria definitivamente às 40 horas semanais.

A transição foi incluída para permitir que empresas, trabalhadores e setores econômicos adaptem suas escalas às novas regras.

A escala 6×1 já acabou?

Não.

Apesar de diversas publicações nas redes sociais utilizarem expressões como “fim da escala 6×1 aprovado”, a proposta ainda está em tramitação.

O que ocorreu até agora foi a aprovação da PEC pela Câmara dos Deputados e, mais recentemente, pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

A CCJ aprovou o parecer favorável à proposta em 2 de setembro.

O texto agora precisa ser analisado pelo Plenário do Senado Federal.

O que falta para a PEC ser aprovada?

Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, a votação exige um quórum maior do que um projeto de lei comum.

No Senado, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis, equivalentes a três quintos dos 81 senadores, em dois turnos de votação.

Caso o Senado aprove exatamente o mesmo texto que veio da Câmara, a proposta poderá seguir para promulgação pelo Congresso Nacional.

Se os senadores fizerem mudanças substanciais no conteúdo, o texto precisará retornar à Câmara dos Deputados para nova análise.

PEC não depende de sanção do presidente da República como acontece com projetos de lei ordinários.

Debate envolve trabalhadores e empresas

Defensores da proposta argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida, ampliar o período de convivência familiar e reduzir o desgaste provocado por jornadas com apenas um dia semanal de descanso.

Durante a discussão no Senado, o relator da PEC, senador Omar Aziz (PSD-AM), defendeu que trabalhadores descansados podem apresentar melhores condições de produtividade.

Por outro lado, parlamentares contrários à proposta levantam preocupações sobre possíveis impactos para empresas, aumento de custos e restrições à negociação direta entre empregadores e trabalhadores.

Esses argumentos deverão continuar no centro das discussões durante a votação da PEC no Plenário.

RESUMO: O QUE PREVÊ A PEC DO FIM DA ESCALA 6X1?

  • Jornada máxima atual: 44 horas semanais
  • Primeira redução: 42 horas semanais
  • Jornada definitiva prevista: 40 horas semanais
  • Descanso: dois dias remunerados por semana
  • Domingo: um dos descansos preferencialmente aos domingos
  • Salário: sem redução em razão da mudança
  • Situação atual: ainda não está valendo
  • Próxima etapa: Plenário do Senado
  • Aprovação no Senado: 49 votos em dois turnos

A tramitação oficial da PEC 221/2019 pode ser acompanhada diretamente pelo Senado Federal.


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