Segunda aplicação de Polilaminina é realizada em paciente paraplégico na Santa Casa de São João da Boa Vista

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Rafael Arcuri
Rafael Arcuri
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Homem de 31 anos, morador de Espírito Santo do Pinhal, recebeu a substância experimental após sofrer uma lesão medular em um acidente de motocicleta

A segunda aplicação de Polilaminina em São João da Boa Vista foi realizada na terça-feira, 21 de julho, na Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros. O procedimento ocorreu em um homem de 31 anos que ficou paraplégico após sofrer um acidente de motocicleta.

Morador de Espírito Santo do Pinhal, o paciente foi encaminhado à unidade hospitalar sanjoanense pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme as informações divulgadas pela assessoria da Santa Casa, a substância experimental foi aplicada com o objetivo de estimular a regeneração de conexões neurais interrompidas pela lesão na medula espinhal.

O procedimento foi conduzido pelo neurocirurgião Bruno Côrtes, chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro. Além disso, ele esteve acompanhado pelo neurocirurgião João Buçard.

Esta foi a segunda aplicação da substância realizada no hospital sanjoanense em pacientes atendidos pelo SUS. A primeira ocorreu em 5 de julho e envolveu uma jovem boliviana de 20 anos, que também sofreu uma lesão medular após um acidente.

Substância busca favorecer conexões neurais

De acordo com Bruno Côrtes, a Polilaminina é aplicada diretamente na região da lesão e busca criar uma estrutura que favoreça o crescimento e a reconexão dos axônios, prolongamentos dos neurônios responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos.

“É um procedimento de injeção de Polilaminina para tentar religar os neurônios que estão na parte de cima com os neurônios que estão na parte de baixo, que foram corrompidos. A Polilaminina forma um trilho para esses neurônios crescerem e, com isso, possibilita que a parte sensitiva e motora comece, gradualmente, com o auxílio da fisioterapia, a recuperar os movimentos e a sensibilidade”, explicou o neurocirurgião.

Apesar da expectativa relacionada à pesquisa, a Polilaminina permanece como uma substância experimental. Dessa forma, os resultados individuais não representam comprovação de eficácia e os pacientes precisarão ser acompanhados pelas equipes médicas durante a recuperação.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informou, em janeiro de 2026, que autorizou o início do estudo clínico de fase 1 da substância. Essa etapa tem como objetivo principal avaliar a segurança da aplicação em seres humanos, incluindo a ocorrência de possíveis eventos adversos.

Segundo a Anvisa, os estudos iniciais ainda são insuficientes para determinar a eficácia do produto. Somente após a análise dos resultados de segurança a pesquisa poderá avançar para fases posteriores, que envolvem um número maior de participantes e avaliações específicas sobre a eficácia.

Paciente chegou à Santa Casa por meio da CROSS

A diretora técnica da Santa Casa de São João da Boa Vista, Patrícia Lopes Moreira, explicou que o homem foi encaminhado ao hospital por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde, conhecida como CROSS.

O sistema é utilizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo para organizar o acesso dos pacientes do SUS aos serviços disponíveis na rede pública e conveniada, especialmente em casos que exigem internações, avaliações especializadas ou procedimentos de maior complexidade.

“Assim que recebemos esse paciente, iniciamos o protocolo e entramos em contato com a equipe do Cristália, laboratório detentor da Polilaminina, que nos orientou sobre toda a documentação necessária, já que este era o segundo procedimento realizado pela Santa Casa. Um médico veio até o hospital, avaliou o paciente, que foi selecionado para participar do estudo”, afirmou a diretora técnica.

O Laboratório Cristália é responsável pelo desenvolvimento e pela produção da substância em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. No entanto, o próprio laboratório destaca que a Polilaminina ainda está em fase de análise e não possui registro definitivo como medicamento disponível à população.

Pesquisa começou há mais de duas décadas

A pesquisa que deu origem à Polilaminina começou há mais de 20 anos na Universidade Federal do Rio de Janeiro. O trabalho é liderado pela professora e pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ.

A substância é produzida a partir da laminina, uma proteína encontrada naturalmente no organismo humano. Conforme as informações divulgadas pelo Cristália, a laminina utilizada no projeto é extraída de placentas humanas doadas com consentimento das mães e posteriormente passa por processos de purificação e formulação.

Quando transformada em sua forma polimerizada, a substância cria uma espécie de estrutura ou malha que pode favorecer o crescimento dos axônios na região lesionada. No entanto, o mecanismo de ação ainda não está completamente esclarecido, segundo a própria Anvisa.

Além disso, a agência reguladora reforça que o acompanhamento médico é fundamental para identificar possíveis reações adversas relacionadas tanto à substância quanto ao procedimento cirúrgico necessário para sua administração.

Pacientes serão acompanhados

Após a aplicação de Polilaminina em São João da Boa Vista, as equipes médicas acompanharão a evolução clínica dos dois pacientes que receberam a substância na Santa Casa.

“Vamos aguardar para observar como será a recuperação desses dois casos que temos aqui”, declarou João Buçard.

A fisioterapia também deverá fazer parte do processo de reabilitação. Entretanto, não existe prazo definido para o aparecimento de possíveis respostas motoras ou sensitivas, pois cada lesão medular apresenta características próprias e a substância permanece em investigação.

Enquanto os estudos avançam, pesquisadores e profissionais de saúde mantêm a expectativa de reunir evidências suficientes para avaliar a segurança e, posteriormente, a eficácia do produto. Por isso, o acompanhamento dos pacientes será essencial para a análise dos resultados e para a definição das próximas etapas da pesquisa.

A Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros está localizada na Rua Carolina Malheiros, nº 92, na Vila Conrado, em São João da Boa Vista.

Mais informações oficiais sobre a Polilaminina podem ser consultadas no portal da Anvisa:

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-autoriza-pesquisa-clinica-para-avaliar-a-seguranca-do-uso-de-polilaminina-em-humanos

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Foto e informações: Assessoria de Comunicação da Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros

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