Entrevistei Andreson Willian “O Caçador”, Mestre de Muay Thai | Academia Hunter Combat (MMA – Mixed Martial Arts).
1- Para começar, conta pra gente: quando e como surgiu o Muay Thai na sua vida? O que te fez se apaixonar por essa arte marcial?
Desde criança sou apaixonado por desenhos e animes que mostram lutadores, mas aos 7 anos de idade meu Tio Marcão, Mestre de Capoeira Regional, referência na região, me introduziu na arte da capoeira. Dali em diante fui conhecendo outras lutas que me fizeram me apaixonar a cada dia mais. Hoje, com 38 anos, vejo que fiz a escolha certa.
2- Quem foi o seu primeiro mestre no Muay Thai e quais ensinamentos dele você carrega até hoje dentro e fora do tatame?
Meu primeiro mestre de Muay Thai foi o Rodrigo Ferreira. Ele me ensinou detalhes importantes como energia, mentalidade e como me portar perante o Muay Thai.
3- O Muay Thai tem raízes profundas no Muay Boran, uma luta de guerra usada há séculos. O que essa história e essa tradição representam pra você como praticante e como mestre?
O Muay Thai carrega séculos de tradição em sua existência. Desde suas primeiras aparições, reinos foram saqueados, palácios foram queimados e as tropas tailandesas tiveram que aprender a se defender. Hoje se tornou um esporte, mas sua ancestralidade me inspira até nos tempos modernos: se moldar conforme o esporte evolui, sem perder suas raízes.
4- Hoje você é conhecido carinhosamente pelos alunos como Caça. Como foi a transição de aluno para mestre e o que significa, pra você, liderar uma academia?
Lembro quando meu mestre pediu para eu ir até Campinas treinar. Quando cheguei, eu ministrei o treino para mais de 50 faixas pretas. Dali em diante ele me colocou como treinador. Para mim isso fez muito sentido, pois gosto de desafios, como um caçador que fica dias na mata para caçar sua presa. Para mim é muito mais difícil treinar uma pessoa e torná-la melhor do que eu próprio me treinar e conquistar coisas na vida.

5- Quais são os maiores desafios e as maiores recompensas de manter uma academia ativa e formando atletas e cidadãos?
Sabe aquela frase: “Quando você encontra seu propósito, nunca mais trabalha”? Então, foi exatamente assim para mim. Apesar de hoje atuar em outras áreas, como empresário e influenciador digital, minha maior satisfação continua sendo ver o brilho nos olhos dos meus alunos. Nada disso é um peso para mim, porque quando se faz algo com o coração, tudo acontece de forma leve e natural.
6- Ao longo da sua trajetória, você já recebeu na academia mestres de várias regiões do Brasil e do mundo. Como essas trocas de experiências contribuem para o crescimento do seu trabalho e dos seus alunos?
Com certeza, principalmente quando fizemos a migração para um Muay Thai mais real — digo real quando me refiro à mesma didática que o povo tailandês treina — e a vinda de Caio Nunes, que morou na Tailândia por 5 anos; Cosmo Alexandre, que morou lá por 6 anos e foi campeão múltiplas vezes no continente asiático; Rangel Farias, um mestre com sabedoria imensa; e os dois tailandeses que vieram mostraram que estamos no caminho certo.
7- Um momento marcante foi a visita de um mestre tailandês de Muay Thai, acompanhado do filho, que realizou um seminário na Hunter Combat. O que esse encontro representou pra você e para a academia?
Esse encontro me fez ter curiosidade para saber mais sobre a Tailândia. Comecei a estudar desde tempos antigos e, com isso, lancei um livro: O Livro Proibido do Muay Thai, onde conto a essência do Muay Thai, a cultura desse povo e as práticas mais antigas e ancestrais que estão marcadas em todo praticante de Muay Thai.

8- Daqui a exatamente 30 dias, você embarca para a Tailândia, berço do Muay Thai, onde ficará por 30 dias. Quais são as suas expectativas para essa viagem tão especial?
Minha principal busca, além de treinar Muay Thai, é aperfeiçoar minha maneira técnica de ensinar a nobre arte. É a solitude. Eu sou uma pessoa cercada por muita gente: família, amigos, parceiros de negócios e alunos.
Muitas vezes sentimos a necessidade de ir para outro lugar, com outra língua, onde ninguém me conhece, para encontrar a nossa própria essência.
Deixar minha esposa, meus alunos e meu filho Ravi, de 3 anos, não será nada fácil. Mas irei em busca de algo guardado dentro de mim. Por isso visitarei templos antigos, monumentos históricos, em busca de uma expansão de consciência que me trará de volta para o Brasil uma versão ainda melhor, para continuar cuidando de todos.

9- Para finalizar, que mensagem você deixa para quem sonha em começar no Muay Thai ou seguir o caminho das artes marciais, mas ainda tem medo ou insegurança de dar o primeiro passo?
Ninguém começa forte, confiante ou pronto.
Todo praticante um dia foi alguém tremendo, sem fôlego, achando que não pertencia ali.
O Muay Thai não pede perfeição.
Pede presença.
Um passo. Um treino. Um dia de cada vez.
Quando você entra no tatame, não está lutando contra outras pessoas.
Está aprendendo a ficar em pé diante de si mesmo.

