Segundo a investigação, padrasto teria orientado a mãe da criança a submergir o rosto do menino em água quente; casal está preso temporariamente.
Matéria atualizada
Mensagens encontradas em celulares apreendidos pela Polícia Civil indicariam que Thiago Willians Gutian Leal orientava Ana Júlia de Carvalho Neves a praticar agressões contra o filho dela, um bebê de apenas 1 ano, em São João da Boa Vista (SP).
Segundo a investigação, em uma das conversas, Thiago teria instruído Ana Júlia a colocar o rosto da criança em uma bacia com água quente. A ação faria parte de uma sequência de agressões que deveria ser repetida em intervalos de cinco minutos.
Os dois foram presos temporariamente na segunda-feira (31) por suspeita de tortura e tentativa de homicídio qualificado contra menor de 14 anos. A vítima é filho de Ana Júlia e enteado de Thiago.
O caso tramita sob segredo de Justiça. Os investigados ainda não foram julgados, e a responsabilidade criminal de cada um será definida ao final do processo.
A defesa do casal informou à EPTV que ainda não teve acesso aos laudos que fundamentaram as prisões e que pretende demonstrar no processo sua versão sobre os acontecimentos.
Investigação começou após internação
As investigações tiveram início em junho, depois que o bebê foi levado à Santa Casa de São João da Boa Vista com ferimentos graves.
Na ocasião, a mãe e o padrasto teriam informado aos profissionais de saúde que a criança havia caído da cama. Entretanto, os médicos identificaram traumatismo craniano grave, hematoma subdural, extensas hemorragias retinianas e outras lesões pelo corpo.
Segundo a Polícia Civil, os ferimentos não seriam compatíveis com a versão apresentada pelo casal.
O menino chegou ao hospital com rebaixamento extremo do nível de consciência e sofreu uma parada cardiorrespiratória. Diante da gravidade do quadro, precisou ser transferido para a Unidade de Terapia Intensiva de um hospital de Campinas.
A criança permaneceu internada durante aproximadamente um mês. Após receber alta, ficou sob os cuidados do pai biológico.
Mensagens indicariam diferentes formas de agressão
Com o avanço da investigação, a Polícia Civil reuniu depoimentos de testemunhas, documentos médicos, exames periciais e informações extraídas dos celulares dos investigados.
As conversas analisadas indicariam que o casal discutia diferentes formas de castigar a criança.
Entre as práticas investigadas estão:
- submersão do rosto da criança em uma bacia com água quente;
- agressões com uma colher de madeira;
- administração de medicamento controlado para fazê-la dormir;
- caminhadas forçadas durante a madrugada;
- privação de sono;
- enforcamento;
- confinamento da criança sem roupas no banheiro;
- sufocamento com uma toalha quando o bebê chorava;
- aplicação de gelo para tentar reduzir as marcas das agressões;
- golpes nas solas dos pés, nas mãos e nas nádegas.
Segundo o delegado Fabiano Antunes de Almeida, responsável pelo caso, os laudos periciais e o material apreendido revelaram um “cenário de terror” vivido pela criança.
A polícia também investiga se as agressões eram praticadas em regiões menos visíveis do corpo como uma tentativa de dificultar a identificação dos ferimentos.
Objetos foram apreendidos
A Justiça autorizou buscas em imóveis ligados aos investigados. Durante as diligências, os policiais apreenderam:
- uma colher de madeira;
- medicamentos controlados;
- uma máquina de choque;
- uma algema;
- uma arma falsa;
- uma bacia plástica;
- aparelhos celulares.
Os objetos passarão por análise e poderão ajudar a esclarecer a dinâmica das agressões e a participação de cada investigado.
De acordo com as informações da investigação, Thiago trabalha como segurança particular.
Polícia ainda analisa celulares
A Polícia Civil continua examinando o material encontrado nos aparelhos. Outros celulares apreendidos também deverão passar por perícia.
Novas testemunhas serão ouvidas antes do interrogatório dos investigados. O objetivo é esclarecer a extensão das agressões, identificar a participação de cada suspeito e reconstruir as circunstâncias que provocaram os ferimentos graves apresentados pelo bebê.
Ana Júlia e Thiago permanecem presos temporariamente à disposição da Justiça.
Como denunciar violência infantil
Suspeitas de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciadas ao Conselho Tutelar ou pelo Disque 100. Em situações de emergência ou quando a agressão estiver acontecendo, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
Leia também: Programa de proteção a crianças vítimas de violência de São João vira destaque estadual.
Fontes: Metrópoles, EPTV/G1 Folha de São Paulo e Polícia Civil.

