Conversas em celulares expõem castigos contra bebê de 1 ano em São João da Boa Vista

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Rafael Arcuri
Rafael Arcuri
Rafael é o fundador e responsável pelo Jornal Fala São João, presente desde sua criação em 2012. Com uma atuação destacada no jornalismo, Rafael já publicou mais de 6.000 artigos, cobrindo uma ampla gama de assuntos, como notícias de última hora, ocorrências policiais e análises políticas, sempre comprometido em informar e conectar a comunidade de São João da Boa Vista e região.

Segundo a investigação, padrasto teria orientado a mãe da criança a submergir o rosto do menino em água quente; casal está preso temporariamente.


Matéria atualizada

Mensagens encontradas em celulares apreendidos pela Polícia Civil indicariam que Thiago Willians Gutian Leal orientava Ana Júlia de Carvalho Neves a praticar agressões contra o filho dela, um bebê de apenas 1 ano, em São João da Boa Vista (SP).

Segundo a investigação, em uma das conversas, Thiago teria instruído Ana Júlia a colocar o rosto da criança em uma bacia com água quente. A ação faria parte de uma sequência de agressões que deveria ser repetida em intervalos de cinco minutos.

Os dois foram presos temporariamente na segunda-feira (31) por suspeita de tortura e tentativa de homicídio qualificado contra menor de 14 anos. A vítima é filho de Ana Júlia e enteado de Thiago.

O caso tramita sob segredo de Justiça. Os investigados ainda não foram julgados, e a responsabilidade criminal de cada um será definida ao final do processo.

A defesa do casal informou à EPTV que ainda não teve acesso aos laudos que fundamentaram as prisões e que pretende demonstrar no processo sua versão sobre os acontecimentos.

Investigação começou após internação

As investigações tiveram início em junho, depois que o bebê foi levado à Santa Casa de São João da Boa Vista com ferimentos graves.

Na ocasião, a mãe e o padrasto teriam informado aos profissionais de saúde que a criança havia caído da cama. Entretanto, os médicos identificaram traumatismo craniano grave, hematoma subdural, extensas hemorragias retinianas e outras lesões pelo corpo.

Segundo a Polícia Civil, os ferimentos não seriam compatíveis com a versão apresentada pelo casal.

O menino chegou ao hospital com rebaixamento extremo do nível de consciência e sofreu uma parada cardiorrespiratória. Diante da gravidade do quadro, precisou ser transferido para a Unidade de Terapia Intensiva de um hospital de Campinas.

A criança permaneceu internada durante aproximadamente um mês. Após receber alta, ficou sob os cuidados do pai biológico.

Mensagens indicariam diferentes formas de agressão

Com o avanço da investigação, a Polícia Civil reuniu depoimentos de testemunhas, documentos médicos, exames periciais e informações extraídas dos celulares dos investigados.

As conversas analisadas indicariam que o casal discutia diferentes formas de castigar a criança.

Entre as práticas investigadas estão:

  • submersão do rosto da criança em uma bacia com água quente;
  • agressões com uma colher de madeira;
  • administração de medicamento controlado para fazê-la dormir;
  • caminhadas forçadas durante a madrugada;
  • privação de sono;
  • enforcamento;
  • confinamento da criança sem roupas no banheiro;
  • sufocamento com uma toalha quando o bebê chorava;
  • aplicação de gelo para tentar reduzir as marcas das agressões;
  • golpes nas solas dos pés, nas mãos e nas nádegas.

Segundo o delegado Fabiano Antunes de Almeida, responsável pelo caso, os laudos periciais e o material apreendido revelaram um “cenário de terror” vivido pela criança.

A polícia também investiga se as agressões eram praticadas em regiões menos visíveis do corpo como uma tentativa de dificultar a identificação dos ferimentos.

Objetos foram apreendidos

A Justiça autorizou buscas em imóveis ligados aos investigados. Durante as diligências, os policiais apreenderam:

  • uma colher de madeira;
  • medicamentos controlados;
  • uma máquina de choque;
  • uma algema;
  • uma arma falsa;
  • uma bacia plástica;
  • aparelhos celulares.

Os objetos passarão por análise e poderão ajudar a esclarecer a dinâmica das agressões e a participação de cada investigado.

De acordo com as informações da investigação, Thiago trabalha como segurança particular.

Polícia ainda analisa celulares

A Polícia Civil continua examinando o material encontrado nos aparelhos. Outros celulares apreendidos também deverão passar por perícia.

Novas testemunhas serão ouvidas antes do interrogatório dos investigados. O objetivo é esclarecer a extensão das agressões, identificar a participação de cada suspeito e reconstruir as circunstâncias que provocaram os ferimentos graves apresentados pelo bebê.

Ana Júlia e Thiago permanecem presos temporariamente à disposição da Justiça.

Como denunciar violência infantil

Suspeitas de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciadas ao Conselho Tutelar ou pelo Disque 100. Em situações de emergência ou quando a agressão estiver acontecendo, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Leia também: Programa de proteção a crianças vítimas de violência de São João vira destaque estadual.

Fontes: Metrópoles, EPTV/G1 Folha de São Paulo e Polícia Civil.

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