CCZ concluiu o bloqueio no Solário da Mantiqueira após visitar 145 imóveis e aplicar 98 doses de vacina antirrábica; moradores são orientados a não tocar em morcegos.
O Instituto Pasteur confirmou que a variante de morcego em cão com raiva foi a responsável pelo caso registrado no bairro Solário da Mantiqueira, em São João da Boa Vista. A análise identificou que o vírus encontrado no animal que morreu pertence a uma variante associada a morcegos.
A confirmação acrescenta uma informação importante à investigação do caso e reforça a atenção para o contato entre animais domésticos e morcegos. Segundo o Instituto Pasteur, os morcegos estão entre os principais reservatórios do vírus da raiva e podem transmitir variantes do vírus para outros mamíferos.
Após a confirmação da raiva no cão, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) realizou um bloqueio territorial no Solário da Mantiqueira. Durante a operação, as equipes visitaram 145 imóveis e aplicaram 98 doses de vacina antirrábica em animais da região.
As medidas tiveram como objetivo ampliar a proteção dos animais e orientar os moradores sobre os cuidados necessários diante da ocorrência.
Variante ligada a morcegos reforça importância da prevenção
A identificação da variante ajuda a compreender a provável origem do vírus que infectou o cão. De acordo com informações técnicas do Instituto Pasteur, cães e gatos podem ser infectados após contato com morcegos portadores do vírus, mesmo que os animais domésticos não tenham acesso frequente às ruas.

Por isso, a vacinação antirrábica continua sendo uma das principais formas de proteção dos animais domésticos. Em São João da Boa Vista, a Prefeitura retomou em junho a vacinação gratuita de cães e gatos no CCZ após a normalização do fornecimento das doses pelo Estado.
O Centro de Controle de Zoonoses fica na Rua Antonio José Milan, nº 400, na Vila Rica. Conforme informação publicada pela Prefeitura em junho, a imunização é oferecida para cães e gatos a partir dos três meses de idade.
O que fazer ao encontrar um morcego?
A principal orientação é simples: não toque no morcego, esteja ele vivo ou morto.
O Instituto Pasteur recomenda que a população não tente capturar o animal diretamente. Morcegos encontrados caídos, durante o dia ou em locais onde normalmente não permaneceriam podem apresentar comportamento incomum e devem ser comunicados ao órgão municipal responsável pelo controle de zoonoses.

Caso o morcego esteja dentro de uma residência, quintal ou outro ambiente onde possa ter contato com pessoas ou animais domésticos, o CCZ orienta manter crianças e animais afastados e, quando isso puder ser feito sem contato direto, isolar o local até a chegada da equipe responsável.
Também não é recomendado matar ou descartar o morcego, já que o animal pode precisar ser recolhido e encaminhado para análise laboratorial. O Instituto Pasteur destaca ainda que morcegos desempenham funções ambientais importantes e são animais silvestres protegidos.
Houve contato com morcego? Procure atendimento
Se uma pessoa sofrer mordida, arranhão ou outro contato que possa envolver saliva de um morcego, a recomendação oficial é lavar imediatamente o local com água e sabão e procurar uma unidade de saúde para avaliação.
O animal não deve ser descartado, pois sua análise pode ser importante para a definição das medidas de prevenção.
Para os tutores, a ocorrência reforça também a importância de manter cães e gatos com a vacinação antirrábica atualizada. A raiva é uma doença grave e fatal após o desenvolvimento dos sintomas, mas pode ser prevenida com vacinação e atendimento adequado após situações de exposição.

