Rafael Zani Varize, de 20 anos, morreu na tarde de quinta-feira (27), após permanecer 12 dias internado em decorrência de um grave acidente na Serra da Paulista, em São João da Boa Vista.
O jovem estava na Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros desde a madrugada de 15 de agosto, quando o Honda Civic no qual ele estava capotou na estrada.
Rafael era passageiro do veículo, que transportava outros três jovens. Os demais ocupantes foram atendidos pelas equipes de emergência e sofreram ferimentos leves.
Motorista não possuía habilitação
Segundo as informações registradas no boletim de ocorrência, o motorista, de 18 anos, não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Ele informou que perdeu o controle do automóvel ao fazer uma curva, no sentido São Roque da Fartura–São João da Boa Vista. O veículo saiu da trajetória e capotou.
O condutor foi submetido ao teste do bafômetro, que não apontou consumo de bebida alcoólica. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar todas as circunstâncias do acidente.
Após a morte de Rafael, o caso passou a ser tratado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, quando não existe intenção de matar, além de dirigir sem habilitação.
Tragédia volta a despertar preocupação com a estrada
A morte de um jovem de apenas 20 anos também impõe uma reflexão que não pode terminar no registro de mais uma tragédia.
Estradas com curvas, trechos estreitos, iluminação limitada, sinalização insuficiente, ausência de acostamento e eventuais problemas no pavimento exigem atenção permanente do poder público. Em uma via de serra, qualquer deficiência pode ampliar o risco enfrentado pelos motoristas.

Até o momento, porém, não existe informação oficial que relacione diretamente as condições da Estrada Serra da Paulista ao capotamento. A investigação deverá esclarecer os fatores envolvidos, inclusive a dinâmica do veículo, a velocidade e as condições da pista.
Essa ausência de uma relação comprovada não elimina a obrigação de fiscalizar a estrada. Pelo contrário: diante da gravidade do acidente, cabe aos órgãos responsáveis realizar uma avaliação técnica completa do trecho.
Segurança viária não pode depender de uma nova tragédia
Buracos, falta de sinalização, ausência de acostamento, vegetação que compromete a visibilidade e iluminação precária não devem ser tratados como problemas menores ou lembrados apenas depois de acidentes.
A prevenção exige manutenção constante, placas visíveis, pintura adequada, fiscalização e intervenções compatíveis com as características da estrada. Também exige responsabilidade dos condutores, respeito aos limites de velocidade e cumprimento das regras de habilitação.
A segurança viária é formada por um conjunto de fatores. Por isso, cobrar melhorias na infraestrutura não significa antecipar a conclusão da investigação nem retirar a responsabilidade que possa ser atribuída ao motorista.
Significa reconhecer que nenhuma estrada pode depender apenas da habilidade ou da sorte de quem passa por ela.
O poder público precisa informar quando foi realizada a última vistoria na Serra da Paulista, quais problemas foram identificados e se existe previsão de melhorias no trecho. Depois de uma ocorrência tão grave, o silêncio não pode substituir uma resposta técnica.
Velório e sepultamento em Mococa
O velório de Rafael foi realizado nesta sexta-feira (28), na Sala 1 do Velório São Sebastião, em Mococa, das 5h às 10h30.
O sepultamento estava previsto para as 10h30, no Cemitério Municipal de Mococa.
A morte de Rafael causa comoção entre familiares, amigos e moradores da região. O Fala São João manifesta seus sentimentos e deseja força à família neste momento de profunda dor.
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