Além de setembro: saúde mental exige cuidado o ano inteiro

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Rafael Arcuri
Rafael Arcuri
Rafael é o fundador e responsável pelo Jornal Fala São João, presente desde sua criação em 2012. Com uma atuação destacada no jornalismo, Rafael já publicou mais de 6.000 artigos, cobrindo uma ampla gama de assuntos, como notícias de última hora, ocorrências policiais e análises políticas, sempre comprometido em informar e conectar a comunidade de São João da Boa Vista e região.

Por Nathália Gimenes Roqueto, psicóloga clínica, com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental e pós-graduanda em Avaliação Neuropsicológica.

Agradeço ao Fala São João pelo espaço e, principalmente, pela oportunidade de falar sobre um tema que precisa estar presente não apenas em setembro, mas durante todo o ano: a saúde mental.

1. Por que os cuidados com a saúde mental não devem ficar restritos ao Setembro Amarelo?

O Setembro Amarelo tem um papel importante ao ampliar as conversas sobre sofrimento emocional, prevenção e valorização da vida. No entanto, quando setembro termina, as dificuldades enfrentadas pelas pessoas continuam existindo. Por isso, precisamos transformar a conscientização desse período em uma cultura de cuidado contínuo.

Falar em saúde mental também é reconhecer que nem todos os dias serão bons e que emoções difíceis fazem parte da vida. Tristeza, ansiedade, medo, raiva e frustração são experiências humanas e, por si só, não significam que exista um problema de saúde mental.

2. Quais sinais emocionais e comportamentais podem indicar que uma pessoa precisa de acolhimento ou ajuda profissional?

A atenção se torna especialmente importante quando algumas mudanças persistem, provocam sofrimento significativo ou começam a interferir na rotina, nos relacionamentos, nos estudos, no trabalho ou no autocuidado.

Isolamento, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações importantes no sono ou no apetite, desesperança e dificuldade para realizar tarefas habituais são alguns sinais que merecem atenção.

Também é importante lembrar que o sofrimento nem sempre é visível. Uma pessoa pode continuar trabalhando, estudando, cumprindo suas responsabilidades e até sorrindo, enquanto enfrenta internamente um período muito difícil.

3. Como familiares, amigos e colegas podem oferecer uma escuta verdadeiramente acolhedora, sem julgamentos ou cobranças?

Nesse processo, as pessoas ao redor podem fazer diferença. Acolher envolve oferecer uma escuta atenta e sem julgamentos, respeitar aquilo que a pessoa está sentindo e estar presente, para que ela saiba que pode contar com apoio durante aquele momento.

Oferecer espaço para que ela fale no próprio tempo pode ser mais importante do que oferecer conselhos. Quando percebemos um sofrimento significativo, também podemos incentivar e auxiliar essa pessoa a procurar ajuda profissional.

4. Quais atitudes, mesmo bem-intencionadas, devem ser evitadas ao conversar com alguém que está em sofrimento emocional?

Não devemos esperar que alguém “pareça mal” para demonstrar interesse, estar presente ou oferecer apoio. Também é importante evitar julgamentos, cobranças e a tentativa de oferecer conselhos antes de permitir que a pessoa fale no próprio tempo.

Acolher envolve respeitar aquilo que a pessoa está sentindo e estar presente, para que ela saiba que pode contar com apoio durante aquele momento.

5. De que forma o acompanhamento psicológico contínuo pode prevenir o agravamento de problemas de saúde mental?

Não é necessário esperar uma crise para procurar um psicólogo. O acompanhamento psicológico também pode ter um papel preventivo.

A psicoterapia pode ajudar a compreender emoções, pensamentos e comportamentos, reconhecer padrões que geram sofrimento, desenvolver estratégias para enfrentar dificuldades e identificar os próprios limites. Muitas vezes, procurar ajuda mais cedo permite compreender e cuidar de questões que já estão trazendo sofrimento antes que elas se agravem ou ocupem espaços cada vez maiores da vida.

6. O que escolas, empresas, instituições públicas e meios de comunicação podem fazer durante todo o ano para promover a saúde mental?

Não podemos colocar toda a responsabilidade pela saúde mental sobre o indivíduo. Os ambientes em que vivemos fazem parte dessa construção.

Escolas podem prevenir o bullying e criar espaços seguros de diálogo; empresas podem promover relações de trabalho mais saudáveis e atuar na prevenção ao assédio e à sobrecarga; instituições públicas podem favorecer o acesso à informação e aos serviços de saúde; e os meios de comunicação têm um papel importante na divulgação responsável de informações e no enfrentamento do preconceito relacionado à saúde mental.

7. Qual orientação você daria a quem percebe que precisa de ajuda, mas ainda sente medo, vergonha ou dificuldade para procurar acompanhamento profissional?

Não precisamos esperar que o sofrimento chegue ao limite para começar a cuidar dele, nem esperar que alguém próximo chegue ao limite para oferecer apoio.

Que setembro seja um lembrete, mas não um limite. Cuidar da saúde mental também acontece nas atitudes construídas ao longo do ano: reconhecer mudanças, respeitar limites, fortalecer vínculos, conversar, acolher e procurar ajuda quando necessário.

Saúde mental não tem mês. Cuidado, presença, escuta e prevenção precisam fazer parte do ano inteiro.

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