Moradores do Recanto do Lago relatam que animais circulam pelas ruas durante a noite, cobram novo cercamento e demonstram preocupação com carrapatos na área.
A invasão de capivaras em São João da Boa Vista ganhou novamente destaque regional após uma reportagem da EPTV mostrar animais circulando pelas ruas, calçadas e avenidas próximas ao Recanto do Lago. A matéria foi publicada no sábado, 1º de agosto de 2026, e apresentou relatos de moradores que cobram providências do poder público.
Segundo os entrevistados, o problema ocorre há anos. Durante o dia, as capivaras permanecem principalmente nas proximidades do lago. No entanto, à noite, grupos de diferentes tamanhos deixam o espaço e avançam pelas vias do bairro.
Vídeos gravados por moradores mostram os animais caminhando pelas ruas e passando próximos a veículos e residências. Dessa forma, além da preocupação com possíveis acidentes, a população relata receio relacionado à presença de carrapatos.
Moradores dizem que problema se agravou
O corretor Felipe Sayegh, que vive no bairro há nove anos, afirmou à EPTV que acompanhou o aumento da presença dos animais desde o surgimento das primeiras capivaras no lago.
Segundo ele, a população cresceu rapidamente e passou a ocupar áreas além das margens. Enquanto isso, outros moradores relatam que deixaram de utilizar o espaço para atividades de lazer e caminhadas.
A vendedora Andréa Gomes afirmou que evita levar suas cachorras para passear nas proximidades do lago por medo de carrapatos. Além disso, os entrevistados reclamaram da ausência de placas informando sobre a presença dos animais ou orientando a população sobre eventuais cuidados.
O auditor Egerton Chaim relatou que perdeu um cachorro após um período de tratamento de saúde. Ele acredita que a doença do animal possa ter relação com carrapatos encontrados depois de passeios na região.
Entretanto, não foi apresentado laudo veterinário ou confirmação oficial estabelecendo a origem da doença. Portanto, o relato deve ser compreendido como a percepção do tutor sobre o ocorrido.
Prefeitura avalia documentação para cercamento
Em nota enviada à reportagem, a Prefeitura de São João da Boa Vista informou que a documentação relacionada ao cercamento do lago saiu do Departamento de Meio Ambiente e foi encaminhada ao Departamento de Gestão de Planejamento Urbano.
De acordo com a administração municipal, os documentos estão sendo avaliados pelos técnicos. Depois dessa etapa, deverá ocorrer a abertura do procedimento licitatório para a contratação ou aquisição da estrutura necessária.
A médica-veterinária da Zoonoses, Giedre Ansani, explicou que a reconstrução ou adequação do cercamento seria uma das medidas para evitar que as capivaras deixem a área do lago.
Além disso, ela informou que existe um estudo técnico preliminar para avaliar possibilidades como remanejamento ou esterilização dos animais. Contudo, destacou que ainda não há uma decisão definitiva sobre essas alternativas.
Reportagem já havia mostrado situação em 2025
A EPTV havia acompanhado o caso aproximadamente um ano antes. Em 15 de julho de 2025, o então diretor do Departamento de Bem-Estar Animal, Vitor Martins, informou que o município havia procurado o Ibama em busca de orientação.
Na ocasião, foram mencionadas possibilidades como avaliação técnica, monitoramento, realocação ou esterilização das capivaras. Entretanto, segundo a nova reportagem, a visita técnica não ocorreu.
Posteriormente, o Ibama informou que a gestão da fauna silvestre nesse tipo de situação compete ao órgão ambiental estadual e orientou o encaminhamento da demanda aos responsáveis no Estado de São Paulo.
A Semil, por meio de sua estrutura responsável pela biodiversidade e pela fauna silvestre, informou que não havia recebido solicitação de autorização para manejo das capivaras daquela área nem pedido de vistoria técnica no local.
As orientações estaduais estabelecem que qualquer manejo populacional de capivaras precisa seguir procedimentos técnicos e depende de autorização ambiental. Além disso, casos relacionados ao risco de febre maculosa também exigem classificação da área e participação dos órgãos de saúde.
Capivaras não transmitem doença diretamente
A preocupação dos moradores está principalmente relacionada aos carrapatos que podem utilizar animais silvestres como hospedeiros.
De acordo com o Ministério da Saúde, a febre maculosa é causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida pela picada de carrapatos infectados. Portanto, a doença não é transmitida diretamente pelas capivaras ao ser humano.
Ainda assim, áreas com presença de capivaras e carrapatos exigem atenção, avaliação técnica e medidas preventivas. A Secretaria de Estado da Saúde informa que esses animais podem participar do ciclo epidemiológico da doença por atuarem como hospedeiros.
Pessoas que frequentam áreas de vegetação, margens de lagos ou locais com possível presença de carrapatos devem verificar roupas e o corpo depois da exposição. Caso surjam sintomas como febre, dor de cabeça, dores no corpo ou manchas após contato com carrapatos, a orientação é procurar atendimento médico e informar sobre a exposição.
Mais informações oficiais estão disponíveis na página do Ministério da Saúde:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/f/febre-maculosa
Moradores cobram manutenção e segurança
Os moradores ouvidos pela reportagem afirmaram que não defendem o extermínio das capivaras. A principal reivindicação é a instalação de um cercamento eficiente, além da manutenção do espaço e da adoção de medidas que permitam a convivência segura entre os animais e a população.
Enquanto a solução administrativa não avança, moradores dizem que evitam passeios, caminhadas e atividades com animais de estimação no entorno do lago.
O caso também reforça a necessidade de integração entre a Prefeitura, os órgãos ambientais estaduais e os setores de saúde e vigilância. Por fim, a comunidade aguarda informações sobre a conclusão da análise técnica e a abertura da licitação para o novo cercamento.
Leia a matéria completa e assista ao vídeo da reportagem no portal g1:




